domingo, 13 de fevereiro de 2011

EU TENHO SEDE DE TI

Pr. Raul Marques

“Estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem sede de ti, como terra sedenta”

Salmo 143:6

S

enhor, que bom saber que nada tenho e que tudo é teu! Como dá prazer ler e ouvir a tua Palavra! É através dela que sabemos exatamente o tamanho que temos. É também por ela que sentimos a tua grandeza. Por isso mesmo, Senhor, eu tenho sede de ti! Eu tenho necessidade de ti! Assim como o salmista, ó Deus, eu também quero expressar a minha dependência, a minha carência e o meu desejo de um pertencimento, cada dia maiores: "COMO SUSPIRA A CORÇA PELAS CORRENTES DAS ÁGUAS, ASSIM, POR TI, Ó DEUS, SUSPIRA A MINHA ALMA". Salmo 42:1.

Há quase vinte anos eu senti que o Senhor estava falando comigo através de algumas pessoas muito especiais, e a percepção foi tão nítida que, daqueles dias em diante, nunca mais deixei de prestar atenção em tudo o que Ele tem reservado para mim e para a minha casa. Desde aqueles dias percebi como era real em minha vida a expressão do apostolo Paulo que, inspirado, escreveu: “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamadas segundo o seu propósito” Romanos 8.28. Foi pelo que li nas Escrituras que percebi quem eu era e quem o Senhor desejava que eu me tornasse. Um dia, vi estampado diante dos olhos o seguinte texto: “Digna de confiança é esta palavra e merece ser plenamente acolhida por todos: Cristo Jesus veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais eu, em especial, sou o primeiro. Mas, se foi concedida misericórdia, foi para que em mim, por primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a sua generosidade, para que eu servisse de exemplo aos que creriam nele, em vista de uma vida eterna. Ao rei dos séculos, ao Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém” I Timóteo 1.15-17.

Sou profundamente grato aos meus pais na fé, por terem me acolhido com todas as minhas limitações, reconhecendo que o amor de Deus por mim era infinitamente maior. Sou grato a Deus por quem decidiu orar por mim, e o fez por mais de 10 anos. Sou grato a Deus pelos que ainda hoje oram e intercedem por mim e pelas responsabilidades que o Senhor me tem confiado. Sou grato a Deus por uma criança que nunca me havia visto pessoalmente e já orava por mim. Sou grato a Deus por algumas irmãs de idade já avançada, que decidiram orar e entregar a minha nas mãos do Senhor todos os dias. Sou grato a Deus pelas correspondências que recebo a cada dia dando conta das maravilhas que o Senhor faz na vida e na família daqueles à quem pude falar de Jesus. Sou grato a Deus pelos meus colegas de trabalho em quem, a cada dia, tento deixar um pouco do perfume de Cristo. Ah! Senhor, eu tenho tanto para agradecer... Tão somente dá-me forças para continuar, de modo que eu também possa me expressar ao final de tudo, como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” 2 Timóteo 4.7.

Para superar as adversidades de cada dia, Senhor, eu tenho sede de ti. Para vencer o que parece invencível, Senhor, eu tenho sede de ti. Para não permitir que as distrações deste mundo me detenham no caminho, Senhor, eu tenho sede de ti. Porque és Deus, porque és bom e as tuas misericórdias duram para sempre, Senhor, eu tenho sede de ti!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A FORÇA QUE SÓ VEM DE DEUS...

Pr. Raul Marques

“Embora as figueiras tenham sido totalmente destruídas e não haja flores nem frutos; embora as colheitas de azeitonas sejam um fracasso e os campos estejam imprestáveis; embora os rebanhos morram pelos pastos e os currais estejam vazios, eu me alegrarei no Senhor! Ficarei muito feliz no Deus da minha salvação! O Senhor Deus é a minha força. Ele me dá a velocidade da corça e me guia em segurança por sobre as montanhas” Hc 3.17-19 – BV

Uma das expressões bíblicas mais profundas e mais animadoras vem do profeta Jeremias: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim” Lamentações 3:22. Ai de nós se Deus não usasse de Sua misericórdia para conosco! As nossas fraquezas são tantas, que muitas vezes ficamos impedidos de prosseguir nos nossos caminhos e de darmos cabo às nossas tarefas, porque paramos estacionados nas impossibilidades. Mas, Deus não nos fez destinados às frustrações, decepções e fracassos. Ele nos capacitou de visão e de força interior através da fé. E, se sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6), é certo que não agradaremos ao Senhor com vidas sem significados e sem propósitos. É preciso que vivamos numa perspectiva que vai além das circunstâncias.

Quanta gente jovem tem desistido dos seus sonhos? Quantos casais têm desistido da felicidade? Quantas pessoas têm desistido da vida porque encontram diante de si problemas e obstáculos que parecem insolúveis e intransponíveis? Quantas igrejas têm perdido a visão porque o mundo as invadiu de tal modo, que os seus membros parecem sócios; os seus ministros, gerentes; o seu planejamento não é de acordo com Deus, mas de acordo com o mercado. Quantos vocacionados deixaram de prosseguir qualificados por Deus, influenciados pelos métodos de academicismos absolutamente contrários à total dependência do Senhor? Quantos irmãos sabem mais sobre maledicências do que sobre os conteúdos espirituais da sua igreja? Quantos estão perdendo as forças e o entusiasmo porque ao invés de estarem com os olhos postos em Cristo, autor e consumador da nossa fé, desviaram os seus olhares para pessoas, às vezes inescrupulosas e a serviço do mal?

Só há uma maneira de vencermos essas adversidades: pela fé! “Todo o que é nascido de Deus vence (ou está sempre vencendo) o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” I João 5.4. O apóstolo Paulo aprendeu e nos ensinou que “o justo viverá por fé” Gálatas 3.11. O profeta Habacuque também se expressou assim. Aliás, é também o profeta Habacuque quem nos dá a maior de todas as lições sobre como vencer as adversidades desta vida. No capítulo 3 e versículos 17 a 19, ele nos indica qual o caminho através do qual devemos prosseguir diante das tempestuosas situações com as quais nos defrontamos nesta vida; sejam elas relativas aos nossos relacionamentos, atividades religiosas, experiências familiares, caos financeiro, limitações na saúde, conflitos conjugais, contendas entre irmãos, etc. Fazendo analogia das suas palavras, ele diz: Ainda que nada nos pareça ideal, e que as coisas estejam todas fora de lugar; que não haja sequer uma brecha de solução; mesmo que todos tenham desistido de tudo; eu me alegrarei no Senhor! Ele transformará todo o caos. Ele, e somente Ele, me elevará acima de todas essas circunstâncias!“. É por isso mesmo que é importante ter fé, mas isso não vem de nós, não vende em supermercado, não se adquire por herança, não se pode repassar por facilitação; É DOM DE DEUS (Efésios 2.8). Esta é a força que só vem de Deus. Quem quer vencer, precisa buscá-la: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á” Mat.7:7.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O QUE CRISTO REALMENTE PREGOU?

Pr. Raul Marques

Jesus Cristo viveu tão livre das amarras religiosas e das convenções sociais quanto pregou. É por esta razão que está estampado na Palavra de Deus: “se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). A obediência de Jesus ao Pai era tão extremada que Ele nada fazia sem antes consultá-lo em oração. Aliás, o Pai já tinha absoluta ciência disso, pois, ao apresentar-se no momento do batismo de Jesus Ele assim se expressou: “Tu és o meu Filho amado, em quem tenho prazer” (Mc 1.11). A liberdade que Jesus pregou, Ele viveu. Por causa desta liberdade Ele até repreendeu duramente aqueles que se tornaram seus maiores opositores: os fariseus e os doutores da Lei: “Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas. Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos”. Impor regras e ordens aos outros é fácil, difícil mesmo é começar por si!

Certa vez entrou na Igreja um casal para participar do culto de oração e estudo da Palavra de Deus. Eu não conhecia nem o homem e nem a mulher, e recebi a cada um como aos demais. Ao término do culto alguém me chamou e comentou: “Pastor, eu não acredito que o Senhor vai receber aqui este casal!”. Aquela não foi a censura de um crente, mas de um religioso. Foi um comentário infeliz, preconceituoso e desprovido de qualquer amor ou piedade. Fiquei tão triste ao ouvir aquilo que logo lhe coloquei diante de um impasse: “Há entre nós alguém menos pecador que eles?”.

Foi o suficiente para que a pessoa interrompesse o inquérito e saísse. Certamente aquela pessoa não tinha idéia do que significa GRAÇA; não havia deixado entrar em seu coração o ensino libertário de Jesus, que diz: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores” Mc 2.13-17.

Ainda hoje sofremos por estas mesmas causas. Muitos não conseguem se firmar no Evangelho em decorrência de um pretenso puritanismo ou de uma pseudo-santidade que, com toda certeza, não estão respaldados em Jesus. Ele nunca desejou execrar ninguém; Ele nunca intentou descartar ninguém; Ele nunca humilhou ninguém. Embora Jesus sempre saiba o que vai fundo em nossos corações, e conheça perfeitamente as causas das nossas atitudes e comportamentos, mesmo assim Ele nos ama e anseia por nossa salvação. A liberdade que Ele viveu e pregou nos atrai para uma mudança muito mais profunda, menos estética e muito mais ética. Foi isto que Ele pregou; foi isto que Paulo entendeu e por isto afirmou: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão” (Gálatas 5.1). Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

O TEATRO DA ALMA

Pr. Raul Marques

“E tudo o quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” Colossenses 3.17


A tarefa mais difícil na vida cristã não é ir à Igreja costumeiramente, mas estar na Igreja conscientemente. Por que será que o apóstolo Paulo chamou a igreja de Corpo de Cristo? Ora, se Cristo é santo e a igreja é o seu corpo, e nós somos o Corpo de Cristo, é fácil deduzir que devemos ser santos. Devemos estar separados de tudo o que é próprio dos pagãos, dos incrédulos, dos escarnecedores, dos ímpios, etc. No entanto, o reconhecimento dos que estão separados não é nada simples; é uma das tarefas mais complicadas. Tanto é que o Senhor Jesus ilustrou através de uma parábola o seguinte ensino: Mateus 13.24 Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. 25. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. 26. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. 27. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28. Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? 29. - Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. 30. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro. São semelhantes, nunca iguais! É exatamente por este fato que vemos tantas vezes a fé teatralizada. Isto tem a ver com a vocação da alma humana. Ela tem sede de fantasia. Ela foi degenerada pelo pecado e tem uma inclinação tenebrosa para o parecer ser... É por esta razão que às vezes ficamos perplexos e sobressaltados com certas atitudes que não dizem respeito à verdadeira conduta cristã. É por isso que temos tanta dificuldade para compreender certas ações de pessoas que apenas aparentam ser aquilo que, na verdade, não são. É o teatro da alma. Ela se traveste. Ela se transforma de acordo com o papel que intente representar. São as muitas facetas do engano. São a presença constante das máscaras sociais e espirituais. Existem pessoas cujas almas são feias e sujas, e não lhes adianta a cor com que se pintaram; mais cedo ou mais tarde a maquiagem estará borrada; quem sabe, as lágrimas mancharão a tintura do rosto e revelarão as deformidades originais. Esses são o joio. No entanto, felizmente há também o verdadeiro trigo, em cuja semente não há mistura, não há artificialismos, mas originalidade. E quando se encerram os atos e o teatro chega ao fim, resta tão somente a verdade. É neste exato instante que ocorrerá aquilo que o próprio Jesus ensinou: “Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro”. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PRODUZINDO ESPERANÇA


Pr. Raul Marques

Dentre as inúmeras inspirações do apóstolo Paulo sobre as tribulações da vida, uma em particular tem um significado mais que especial: Romanos 5.1-5. Esta é uma das passagens bíblicas mais espetaculares. Ela sintetiza tudo o que se possa pretender escrever dentro da psicologia dos homens. Ela expressa a força que vem da fé. Ela dá visibilidade ao invisível. Ela prova o improvável. Ela vem de Deus.

Todos nós enfrentamos muitas adversidades, tribulações e tormentas em nossas vidas. Algumas são tão vorazes que chegamos a pensar em desistir de tudo, entregar os pontos ou, quem sabe, na linguagem popular: pendurar as chuteiras dando o jogo por vencido. É na tribulação que muitos sucumbem. É na efervescência da dor que muitos estacionam. É na ebulição do sofrimento que tantos definham e se amiúdam até saírem de cena... É na contumácia das perdas que muitos esmorecem e se entregam ao torpor dos remédios, dos vícios, das depressões, e até do suicídio. O vazio existencial consome as forças humanas. A solidão e a amargura minam as nossas energias e fragmentam os nossos sonhos até fazê-los insignificantes. A desesperança nasce na dor.

Ensina-nos a Palavra de Deus que “Tudo acontece igualmente a todos: a mesma sorte para o justo e para o ímpio, para o bom e puro e para o impuro, para o que oferece sacrifícios e para o que não oferece” Ec 9.2. Deste modo entendemos que o sofrimento é próprio dos homens, que estamos todos na mesma condição de igualdade na dor. Todos, indistintamente, sofremos os revezes da vida; as decepções, as frustrações e os descompassos da nossa existência. Mas, em meio a tudo isso, eis que surge a grande e absoluta diferença entre os que crêem e os que não crêem: o milagre da perseverança até a vitória. Profundamente deslumbrado com o poder da fé em Jesus Cristo, Paulo afirmou não ter vergonha de crer e de atender ao Evangelho porque, segundo ele, “é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê” Rm 1.16.

O que nos impulsiona a viver o momento seguinte é a nossa esperança de que ele, enfim, será melhor. O que nos dirige para o futuro é a fé. O que nos assegura que a vitória virá é a confiança concreta de que “Deus existe e que é galardoador daqueles que o buscam” Hb 11.6. Por todas essas razões o apóstolo Paulo recebeu do Espírito Santo de Deus e nos repassou as seguintes palavras: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” Rm 5.1-5. Ele nos acalma assegurando que toda tribulação produz a paciência requerida para a superação; que a paciência nos conduz à experiência sobre as dores da vida; e que esta experiência fará nascer uma esperança indestrutível, que será capaz de vencer toda e qualquer adversidade por um motivo especialmente revelador: “porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Se, por algum motivo, você passa agora por tribulações, CREIA EM DEUS. Esta fé que você há de receber como dom de Deus, irá produzir a força necessária à sua vitória. Ela agira como um dínamo e explodirá as cadeias da dor e do sofrimento; ela lhe trará ESPERANÇA e, enfim, lhe conduzirá a pastos verdejantes e às águas tranquilas, em nome de Jesus!